Autêntica música popular brasileira
Essa música é pura poesia, triste poesia, sensata poesia, linda melodia, arrepiante letra, doce voz de Zizi, bela canção de Chico Buarque. É a fotografia de um sentimento, belíssimamente criada e produzida. Apesar de ser triste, tem uma beleza singular, tão belas são suas metáforas e analogias…
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
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Olá!
Essa é uma das músicas que mais me toca o coração. É o retrato mais fiel que vi da palavra ’saudades’. A dor de ter de arrumar o quarto do filho morto…Zeus! Não deve haver nada, absolutamente nada mais dolorido do que isso; e a saudades que deve causar…minha nossa!
Adorei sua postagem, obrigada por compartilhar com a blogosfera tal beleza (beleza triste, mas ainda beleza).
Abraços!
Fatima - Junho 14, 2008 at 4:51 am
É mesmo Fátima, a primeira vez que a ouvi eu me arrepiei rs
“Beleza triste, mas ainda beleza”… parabéns a esses artistas,
Obrigado pela visita, volte sempre!!
Abraços!
dm777 - Junho 14, 2008 at 6:38 pm
Pra começar, apenas uma citação:
“Nada como a presença de deus nos homens”.
Como um material digital, produzido há tanto tempo, pode ainda nos trazer a presença sublime daquele momento.
Da personagem encarnada pela Zizi, ali nos olhos dela.
E o Chico, ali, entonanto com a voz um homem que rasteja no passado, no seu amor.
Pois ai vemos a presença de um deus nos homens, com a capacidade de transformar seu sentir no fazer sentir.
Pô acho que tô viajando, mas que sinto a emoção dos dois encarnados nos personagens quando esculto essa gravação, ah, isso é verdade.
Abraços Zenis e obrigado pelo post.
Amém.
igor felix - Junho 25, 2008 at 7:52 am